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26/07/2010 | Café
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O cheiro de café está no ar
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Jornal A GAZETA - DIA A DIA 18/07/2010
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Fernanda Zandonadi
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O cheiro de café está no ar
Ingrediente principal de modas de viola, foi do cafezal em flor que surgiu o principal ingrediente do sucesso da empresa de cosméticos Kapeh, palavra que significa café em maia. O grupo usa esse produto como principal base para sua linha de cosméticos. Essa ideia partiu da proprietária da empresa, a farmacêutica e bioquímica, Vanessa Figueiredo Vilela Araújo. O empreendedorismo dessa jovem de 32 anos, além de conferir sucesso ao grupo, colocou-a entre as dez finalistas do Empretec Women in Business Award 2010, um prêmio internacional de empreendedorismo feminino, conferido pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Comércio (Unctad).
A senhora foi apontada como uma das dez mulheres mais empreendedoras do planeta. E, com menos de três anos de mercado, sua empresa já conta com 180 pontos de vendas no Brasil além de estar nos mercados de Portugal e na Holanda. Qual a é fórmula desse sucesso?
Não existe receita nem fórmula mágica. Na Kapeh nós tivemos a felicidade de criar um produto altamente inovador e inédito no mercado. Estamos localizados em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, região que é a maior produtora de café do mundo. E nós observamos nesse produto uma excelente oportunidade para o mercado de cosméticos, pois os ativos do café são excelentes para nossa pele. Levando em conta, ainda, a importância que tem o café para a economia de nosso país e encontrando formas de agregar valor a esse produto, nós desenvolvemos a Kapeh, que significa café em maia. Além disso, buscamos outros diferenciais. Nossa matéria-prima tem certificado de origem, ou seja, como valor agregado vem a questão de responsabilidade social o respeito ao meio ambiente e ao ser humano. Isso é uma filosofia de trabalho da marca. Temos, ainda, a possibilidade de fornecer ao nosso cliente a questão da rastreabilidade, ou seja, é possível saber toda a cadeia produtiva do café que foi usado para fazer o produto.
Como ocorreu a indicação ao Empretec Woemen Business Award 2010 da Unctad?
Fui indicada pelo Sebrae do Sul de Minas Gerais. Passei por várias etapas no Estado e no país e fiquei como finalista brasileira. Só por estar nesse ponto eu já me senti extremamente feliz. No fim, fiquei entre as dez empreendedoras do mundo e fomos à sede da ONU em Genebra, na Suíça, para receber o prêmio. Foi uma experiência enriquecedora e interessante também pelo convívio com as demais finalistas, mulheres de várias partes do mundo.
Para chegar a esse ponto, o primeiro passo foi escolher o produto base para seus produtos. Como vocês chegaram ao café?
Na verdade partiu da comprovação dos benefícios desse produto: o café é altamente antioxidante, três vezes mais até do que o chá verde, que já é conhecido por essa propriedade. Combate os radicais livres que envelhecem a pele. O café estimula a queima de gordura e já é usado em produtos para redução de medidas. Ele revitaliza, energiza, tem efeito esfoliante. Nós aproveitamos, inclusive, a casquinha do café em alguns produtos. Estamos sempre inovando no sentido de usar na totalidade o café e os derivados. No ano passado, por exemplo, lançamos um produto novo, feito com a flor do café. É a água energizada e o spray para ambiente flor de café. E vem muita coisa boa pela frente. No lado emocional, vemos que o café é tão importante na economia da nossa região. Observamos, por exemplo, a Alemanha. É o maior exportador de café do mundo, sendo que por lá não há um pé de café plantado. Isso mostra que realmente temos que encontrar formas de agregar valor aos nossos produtos.
Segundo dados do Sebrae, uma boa parcela dos empreendimentos fecha as portas antes do segundo ano de funcionamento. Como a senhora ultrapassou essa fronteira? Quais foram os pontos de maior conflito?
A Kapeh só tem evoluído e crescido, embora nós estejamos em um mercado altamente competitivo, dominado por muitas empresas multinacionais. Não é fácil a entrada nesse mercado. Temos que ser realmente bons no que fazemos, oferecer um produto de qualidade e ter qualidade também no atendimento do clientes. Dificuldades existem, mas nada que tenha impedido o crescimento da empresa.
O pulo do gato da Kapeh foi o serviço terceirizado, ou seja, se cercar dos melhores profissionais do mercado. Está correta essa afirmação?
Está correta. Na Kapeh, em todas as áreas, há pessoas altamente qualificadas naquela função. E para uma empresa jovem, que está começando, ter todas essas áreas ocupadas internamente, seria uma estrutura e uma carga muito pesada, que poderia comprometer a evolução da empresa no início. Uma das soluções que encontramos foi terceirizar algumas áreas e contar com consultores. Mas é bom deixar claro que terceirizamos execuções, ou seja, o planejamento, o desenvolvimento, as formulações. O gerenciamento de tudo é feito pela Kapeh.
Sua formação é em farmácia e bioquímica. A senhora apostou também na qualificação em áreas como administração para um suporte burocrático do negócio?
Eu fiz uma série de cursos na área de administração, um deles foi o Empretec, que foi pré-requisito ao prêmio da ONU. É um curso de fomento ao empreendedorismo, com a metodologia da ONU e ministrado no Brasil pelo Sebrae, que é parceiro deles.
Sua empresa prima pela responsabilidade social. Essa responsabilidade social é muito apreciada pelos clientes?
É algo que agrega valor. Para o exterior isso faz mais diferença ainda do que para o mercado interno. Mas percebo que essa cobrança está crescendo também aqui no Brasil. As empresas já são mais valorizadas por terem a responsabilidade ambiental, social. É uma filosofia de trabalho da empresa e buscamos parceiros e fornecedores que partilhem dessa filosofia.
A exportação, no Brasil, ainda é considerada o grande desafio dos empreendedores que estão entrando no mercado. Quais dificuldades a senhora enfrentou?
Por ser um produto cosmético, tive dificuldades com barreiras sanitárias, dossiês, uma série de documentos. Esse lado é mais burocrático. Ficamos preparando toda essa documentação. Ou seja, foi mais complicado vencer barreiras burocráticas. Foi um ano de preparação e adequação. Outra coisa é o mercado. Iniciamos na Comunidade Europeia. Mas no final do ano passado, a crise no mercado dificultou a entrada de novas marcas. Mas eu acho que, quem quer exportar, deve procurar ajuda de órgãos como o Sebrae, consultores, rodadas de negócios.
A senhora falou que a crise afetou as exportações para a Europa. E no país, teve algum tipo de repercussão negativa?
Não sei se é porque a empresa é muito nova e eu não tenho tanto parâmetro de comparação, mas eu não posso dizer que, de forma alguma, a Kapeh foi afetada pela crise no Brasil. Só que, no mercado externo, nós sentimos sim. Houve receio para introdução de novas marcas.
Ainda há tempo para colocar a mão na massa, ou seja, ir até a linha de produção?
Eu coloco a mão na massa em tudo. Desde os desenvolvimentos, o comercial, administrativo. A parte de desenvolvimento, então, que eu adoro. Coloco a mão na massa sempre que precisar.
Perfil
Vanessa de Figueiredo Vilela Araújo, empresária de Três Pontas, no sul de Minas, ficou entre as dez mulheres indicadas ao Empretec Women in Business Award 2010, um prêmio internacional voltado ao empreendedorismo feminino.
Farmacêutica e bioquímica, ela é proprietária da empresa de cosméticos Kapeh, grupo que tem o café como base para cremes, loções e sabonetes.
Com menos de três anos no mercado, a empresa conta com mais de 180 pontos de vendas no Brasil e já exporta Portugal e Holanda.
Os produtos da página
1. Shampoo Triativo Masculino para Cabelo, Barba e Corpo Kapeh. Tem efeito revitalizante e, durante o banho, pode ser aplicado no corpo, rosto e também ser usado para barbear.
2. Sabonetes Café Verde, Café Maduro e Café Torrado Kapeh. Além da hidratação, eles promovem uma suave esfoliação por meio de grãos de café torrados e moídos.
3. Máscara Capilar Tratamento Intensivo Kapeh . Com extrato de café, tem ação em três minutos.
4. Hidratante Iluminador Kapeh. Proporciona um brilho dourado à pele, realçando o tom natural.
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