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18/02/2010  |  Geral
Seca traz prejuízos a lavoura e restrição ao uso de água

A Gazeta- Economia

Elaine Silva

A estiagem prolongada de 102 dias, em um período tradicionalmente chuvoso e a temperatura muito acima da média, que configurou uma anomalia climática, resultou em sérios prejuízos para agricultores e pecuaristas no Espírito Santo.

De acordo com os dados divulgados na tarde de ontem pelo secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, a quebra de produção foi constatada em várias culturas e o prejuízo para os agricultores e pecuaristas já chega a R$ 401 milhões.

O café, a principal atividade agrícola do Estado foi a cultura mais prejudicada com perda de 30% e prejuízo de R$ 347 milhões. Um número estimado entre 80 a 90 mil agricultores e pecuaristas foram afetados pela estiagem, estima Bergoli.

Com a seca prolongada e a temperatura elevada há pouca oferta de água em alguns municípios. E na escassez de água a prioridade é para o consumo humano, para matar a sede dos animais e, por último, a irrigação.

Em pelo menos dez municípios localizados em diferentes regiões do Estado, por conta da baixa oferta hídrica, o Ministério Público Estadual (MPE) mediou a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecendo as prioridades do uso da água na área rural. Mesmo em período de seca, se a água for pouca a irrigação das lavouras fica na terceira prioridade, restringindo o uso para essa finalidade.

Culturas
Neste ano, explicou Bergoli, não foi registrado o veranico, que é um período que dura de 20 a 25 dias sem chuvas. Em algumas regiões não chove desde o início de novembro. A elevação da temperatura causou surpresa aos técnicos do Incaper. Em Alfredo Chaves, a temperatura ficou 6º acima da média histórica para o mês de janeiro.

A falta de chuva somada à elevação acentuada da temperatura prejudicou várias culturas. Mas, algumas estão sofrendo mais. Nas lavouras de maracujá, por exemplo, foi constatado o abortamento floral. Por conta da elevada temperatura, a flor não se transforma em fruto e o resultado é perda de 80% na produção de maracujá dos meses de abril e maio. A produção está concentrada nos municípios de Sooretama, Jaguaré, Presidente Kennedy, Pinheiros e Linhares.

Segundo o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaes), Clésio Brandão, a cafeicultura, que responde por 40% da renda rural, foi a atividade agrícola mais atingida. Ele estima em 65 mil o número de cafeicultores afetados pela seca. O café nesta safra, explica, terá grãos menores e grãos queimados, com defeito de qualidade.

A produção de leite, informou o presidente da Federação da Agricultura (Faes), Júlio Rocha, teve perda de 20% na produção. São 200 mil litros de leite a menos diariamente, desde janeiro. A quebra da produção vem em um período de safra, em que a oferta, tradicionalmente, é alta.

As perdas nas várias culturas não serão mais recuperadas com as chuvas que virão a partir da próxima quinta-feira, Para o setor rural essa é a boa notícia: institutos de pesquisa indicam chuvas no Estado após o carnaval.

O que já está sendo feito

Ações emergenciais
1. Suporte aos municípios afetados pela estiagem para decretação de situação de emergência. Isso facilita compras e contratação de serviços no setor público (maquinários para poços, aquisição de água potável, carro pipa, cana para alimentação animal).
2. Utilização de água priorizando abastecimento público (consumo humano), consumo animal e irrigação por último.
3. Prorrogação de débitos de crédito rural.
4. Negociação direta com bancos (Banestes, Bandes, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Sicoob).
5. Auxílio do Incaper aos produtores na elaboração de laudos.

Ações estruturantes
1. Implantação de sistemas de armazenamento de água por meio da construção de barragens individuais e coletivas.
2. Readequação de sistemas e manejo de irrigação.
3. Uso de sistemas mais eficientes na distribuição de água reduzindo o seu consumo (irrigação localizada, gotejamento, microaspersão).
4. Adequação ambiental das propriedades rurais por meio da implantação de florestas de produção e proteção, da construção de cercas para proteção das nascentes e de outras boas práticas agrícolas.
5. Utilizar tecnologias de produção sustentável de leite a pasto.
6. Recuperação e renovação de pastagem.
7. Arborização das pastagens.
8. Mineralização correta e alimentação volumosa na época seca (capineira, silagem e fenação).
9. Suplementação com cana-de-açúcar corrigida com ureia na época da seca.
10. Utilização de tecnologias de produção sustentável como buscar variedades melhor adaptadas à deficiência hídrica, localização correta dos plantios, utilização de plantios adensados, sistemas agroflorestais e plantios com sombreamento.

Ações em curso
1. Programas de adequação ambiental como Florestas para a Vida, Produtores de Água, Campo Sustentável, Proteção de Nascentes, Corredores Ecológicos.
2. Disponibilização regular de informações agroclimáticas, planejamento de ações de uso mais racional da água.
2. Rede de assistência técnica e de apoio ao interior (Incaper, sindicatos rurais e de trabalhadores rurais, secretarias municipais de agricultura).

6 grausa mais
É o que foi registrado em Alfredo Chaves, em janeiro, num pico de temperatura, e mostra como a elevação do calor impactou as lavouras no Estado. De novembro a janeiro, a média das temperaturas máximas foi superior em até 3,7ºC, casos das regiões Sul e Noroeste.


Sem chuva, pode ocorrer falta de água em agosto

O longo período de estiagem em meses tradicionalmente chuvosos, como está acontecendo no Espírito Santo, poderá resultar em escassez da oferta de água no segundo semestre do ano. Isso, segundo o coordenador do Centro Capixaba de Meteorologia e Recursos Hídricos (Cecam), José Geraldo Ferreira da Silva, pode acontecer se nos próximos dois meses, as chuvas não forem suficientes para o abastecimento dos reservatórios e do lençol freático. Se chover abaixo do esperado o capixaba pode enfrentar problemas no abastecimento de água a partir de agosto.



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