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11/02/2010  |  Geral
Camex avalia "guerra de bastidores" em torno da importação de glifosato

Jornal Valor, Agronegócios

Mauro Zanatta

Os sete ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) devem resolver hoje, em reunião mensal ordinária, uma guerra de bastidores travada entre representantes de produtores rurais e a multinacional Monsanto. A acirrada disputa está centrada na tarifa antidumping de 2,1% cobrada das importações de matéria-prima do herbicida glifosato produzido na China.
Os ruralistas querem derrubar a taxa sob pretexto de reduzir custos de produção e evitar o domínio absoluto da Monsanto em um mercado anual de R$ 3 bilhões. A multinacional argumenta que o produto tem sido vendido no Brasil a preços abaixo dos praticados no mercado interno chinês. Além disso, a produção da sua fábrica de glifosato, instalada em Camaçari (BA), estaria ameaçada. Diante disso, a empresa americana, que chegou a dominar 95% desse mercado no país, pediu a substituição da atual tarifa por um direito específico móvel em dólar.
Nos bastidores do governo, informa-se que o antidumping seria transformado em um "preço de referência" de US$ 4,60 por quilo ou litro da matéria-prima importada. Sobre esse valor incidem ainda 12% de Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.
Os produtores alegam que a troca será prejudicial porque os preços internacionais do glifosato estariam hoje bem abaixo da "referência" reivindicada - em torno de US$ 2,90 por quilo ou litro. "Já pagamos mais caro por defensivos aqui e ainda vamos garantir reserva de mercado da Monsanto", diz o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS). "Não sou contra eles, mas a empresa tem que se submeter à concorrência", afirmou o deputado.
Além disso, dizem os produtores, se a Camex aceitar esse pedido antes de expirar o prazo de um ano da última revisão da tarifa, o preço de referência passaria a valer por tempo indeterminado - o prazo acaba na próxima sexta-feira, dia 12.
Os ruralistas têm feito uma forte pressão sobre o governo para evitar a alteração. Dizem que a manobra elevaria os preços dos alimentos e pressionaria os índices de inflação ao consumidor final. Também argumentam que a China, o maior importador do agronegócio nacional, pode retaliar o Brasil, como já ocorreu anteriormente. Em 2004, a China suspendeu a compra de soja brasileira sob o pretexto de contaminação dos grãos por resíduos de agrotóxicos, o que foi visto como uma manobra para reduzir preços.
A disputa em torno do antidumping se arrasta desde 2003, quando a Camex fixou uma alíquota de 35,8% por cinco anos. No início de 2009, os ministros aprovaram a última redução da tarifa - de 2,9% para 2,1%. O processo envolve o interesse de 186 empresas. Há 51 produtos à base de glifosato registrados no país. Outros dez aguardam na fila dos processos.
A atual sobretaxa refere-se à chamada "margem de subcotação", ou seja, a diferença entre o preço internado com imposto e a cotação no mercado doméstico. A Monsanto quer usar a chamada "margem de dumping", o que puniria importações feitas a preços inferiores aos praticados no mercado interno chinês. Consultada, a Monsanto informou que não se pronunciaria até a decisão da Camex.



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